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Botox, governança e pessoas: como Paulo Camargo tem levado a gestão do McDonald’s para a Espaçolaser | Franquias


Poucas horas antes de subir ao palco para falar para uma plateia de mais de 600 pessoas ligadas ao franchising brasileiro, na última quinta-feira (26/10), o CEO da Espaçolaser, Paulo Camargo, conversou com PEGN sobre sua trajetória, os planos para a maior rede de depilação a laser do país e quais ingredientes do McDonald’s, sua experiência anterior, ele trouxe para a marca que tem até Xuxa Meneghel como sócia.

Camargo passou 11 anos à frente do McDonald’s Brasil e deixou legados na gestão da rede de fast food. Um dos últimos foi a negociação com a matriz norte-americana da institucionalização do apelido Méqui, em uma estratégia para estreitar o relacionamento da marca com público brasileiro.

O executivo de 55 anos deixou o crachá do McDonald’s em 31 de julho do ano passado e vestiu o da Espaçolaser no dia seguinte. Há pouca coisa em comum entre as duas redes além do fato de as duas operarem sob o modelo de franquias e terem capital aberto. Basicamente, ele deixou de falar de hambúrguer e passou a pensar em laser.

“São negócios diferentes, mas no fim são dois negócios de gente, de pessoas. Tem um montão de gente do lado de dentro do balcão e outro monte do lado de fora. Nosso papel, enquanto líderes, é ajudar que essa interação seja o mais fluida possível”, afirma.

Camargo lembra que uma de suas primeiras medidas na nova casa foi pedir que fossem criados seis comitês temáticos de categorias como gente, tecnologia e marketing. A ideia era fazer com que pessoas da própria franqueadora e franqueados participassem.

“Com os comitês, é possível fazer com que os franqueados participem de maneira organizada. É muito provável que exista quem faça gestão de empresas em um grupo de WhatsApp com os franqueados. Não estou dizendo que está errado, mas prefiro fazer de maneira mais estruturada”, afirma.

Há um comitê de franqueados que se reúne com Camargo e a vice-presidente de operações a cada três meses para discutir o que não entra nos comitês individuais.

Os aprendizados do McDonald’s não se limitam aos aspectos de governança. Faz mais ou menos um mês que a Espaçolaser tem realizado testes para aumentar o cardápio de opções disponíveis para os clientes. Duas lojas, uma em Campinas (SP) e outra em Fortaleza (CE), estão experimentando novos procedimentos estéticos faciais, alguns envolvendo laser e outros injetáveis, como a toxina botulínica, o popular botox — o novo queridinho do setor de franquias.

Paulo Camargo, CEO da Espaçolaser — Foto: Divulgação
Paulo Camargo, CEO da Espaçolaser — Foto: Divulgação

Até o fim do ano, os testes devem chegar a mais cinco lojas, todas da Estudioface, submarca da Espaçolaser que deixará de existir, aos poucos, por meio de conversão de bandeira. Há ainda outros procedimentos que têm sido testados em uma escala menor. A missão é entender se os serviços são rentáveis para os franqueados.

De acordo com Camargo, a marca identificou que cliente estaria disposto a consumir novidades. “Eu acho que o negócio principal vai estar sempre focado na depilação a laser, mas por que não fazer com o que o cliente vá mais vezes à loja para consumir, eventualmente, um botox? Acreditamos no potencial, mas vamos testar para não termos surpresas”, explica.

Expansão em cidades pequenas

A Espaçolaser abriu 43 unidades neste ano até o momento, todas franquias e grande parte em cidades pequenas. A empresa mapeou mais de 300 praças de pequeno porte que podem receber a marca. “Abrimos dez lojas em setembro, foi o mês de maior volume de aberturas, e tem a ver com esse mix de cidades menores”, diz.

Como a EspaçoLaser tem capital aberto, Camargo não faz projeções de resultados, mas diz que a empresa deve divulgar um estudo de mercado em pouco tempo e atualizar uma pesquisa sobre a penetração do laser no Brasil. “Em 2019, só 5% da população se depilava a laser, é um oceano gigantesco para crescer”. Na última demonstração de resultados, referente ao segundo trimestre de 2023, a companhia contabilizava 764 lojas, sendo 191 franquias. De acordo com ele, o número já se aproxima de 850 operações, com as franquias ganhando terreno novamente.

No primeiro semestre, a Espaçolaser conseguiu aumentar as vendas nas mesmas lojas em 10%. Na receita bruta, a alta geral foi de 21%. Os três primeiros meses do ano registraram um prejuízo de R$ 11 milhões, com queda de 53,5% em relação ao mesmo período do ano passado.

Enquanto comparava suas atuações nas duas redes de franquia, já no palco da ABF Con 2023, que acontece na Ilha de Comandatuba, em Una (BA), ele mencionou que quando assumiu o McDonald’s precisou lidar com uma “dívida que parecia impagável”. O executivo apontou a similaridade com o cenário da Espaçolaser, mas garantiu: “Nós vamos resolver”.

O jornalista viajou a convite da ABF.



PEGN

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