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IPCA de junho fica bem abaixo do esperado. Então a Selic pode voltar a cair? | Brasil e Política


Primeiro, é preciso entender como o IPCA afeta os juros.

Quando a alta dos preços está acelerada, o instrumento que o Banco Central tem para controlar esse avanço inflacionário é a taxa básica de juros. Ou seja, a Selic. Então, quando o BC sobe os juros, o efeito principal disso é que os empréstimos e financiamentos (tanto dos consumidores como das empresas) ficam mais caros. Portanto, há menos incentivo ao consumo e, consequentemente, menos dinheiro em circulação. Com isso, os preços tendem a voltar a cair e, assim, a inflação entra nos eixos novamente.

Por outro lado, se a alta dos preços está controlada, o Banco Central pode cortar a Selic e, assim, “baratear o dinheiro”. O efeito, portanto, é um incentivo para que as pessoas e empresas gastem mais sem que isso comprometa o bolso delas, já que a inflação está em ordem. Isso funciona, portanto, como um estímulo para a economia crescer.

Agora, o Brasil está em um momento mais cauteloso em relação à inflação. A autoridade monetária já vinha expressando sua preocupação com a força de alguns dados da economia brasileira (especialmente do mercado de trabalho). Isso porque uma atividade aquecida, especialmente com salários mais altos, pode trazer justamente em mais inflação. Afinal, há mais dinheiro circulando. E qual é a saída, neste caso? Manter os juros elevados.

Agora, não só o mercado como a autoridade monetária vão “esperar para ver” os efeitos dessa mudança de rota na economia. É importante lembrar que a inflação segue aumentando. Ou seja, houve apenas uma “desaceleração”. Então, ps preços continuam subindo. No entanto, caso eles permaneçam subindo a um ritmo menor do que o esperado, isso pode ser um sinal de que a alta dos preços está controlada e, a partir daí, o Banco Central pode pensar em novos cortes.

Resta agora aguardar os próximos dados (e, consequentemente, os próximos passos do BC).



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